Criador de Alien vs Predador fala sobre o Predador nos quadrinhos

Capa de Predator: Hunters II #2 - Arte de Augustin Padilla
Capa de Predator: Hunters II #2 - Arte de Augustin Padilla

Quando O Predador foi lançado em 1987, muita gente não imaginava o legado que a franquia teria. Hoje, 30 anos depois, o filme dirigido por John McTiernan ganhou o status de clássico e os caçadores do espaço conhecidos como Predadores ainda empolgam os fãs com as suas histórias.

Atualmente o Predador conta com cinco filmes (incluindo os de Alien vs Predador) e um sexto filme está para sair em breve, com Shane Black na direção. O Predador (2018) sairá nos cinemas no dia 13 de setembro, adicionando mais um capítulo na história do icônico alienígena. Mas quando levamos em consideração todo o seu universo, os filmes são apenas a ponta do iceberg.

Predator: Concrete Jungle – A chegada do Predador aos quadrinhos

No início dos anos 90, a Dark Horse Comics era a responsável pelos quadrinhos das franquias mais queridas da ficção científica: Star Wars, Predador, Aliens e Exterminador do Futuro. Atualmente ela ainda tem a licença para todos esses títulos, exceto Star Wars que atualmente está com a Marvel.

Capa de Predator: Concrete Jungle (1989)
Capa de Predator: Concrete Jungle (1989)

O Predador teve diversas histórias em quadrinhos muito bem-sucedidas, incluindo Predator: Concrete Jungle de 1989 que foi escrita por Mark Verheiden e ilustrada por Chris Warner e Ron Randall. Concrete Jungle foi uma sequência para o filme de 87 antes de Predador 2 chegar aos cinemas em 90.

Originalmente a história teria Alan “Dutch” Schaefer servindo como um policial, envolvido em uma batalha urbana contra um novo Predador. Mas de última hora esse personagem foi alterado para o Detetive Schaefer, irmão de Dutch Schaefer. Essa história ainda teve duas sequências, Predator: Cold War (1991) e Predator: Dark River (1996).

O surgimento de Alien vs Predador

Voltando para 1991, Chris Warner, que trabalhava como editor da Dark Horse na época, veio com a ideia de um crossover que seria ultra popular: Alien vs Predador. Com Randy Stradley e Phill Norwood, ele criou o primeiro dos diversos embates entre as duas criaturas do espaço.

O crossover que começou nas HQs, hoje já está nos videogames, livros e até mesmo filmes (pois é, não foi aquela cabeça de Alien no final de Predador 2 que deu origem a tudo isso).

Agora a Dark Horse vai lançar uma nova série de histórias para celebrar os quadrinhos novos e antigos do Predador. Um deles será Predator: Hunters II, uma história nova escrita por Warner que dará sequência aos quadrinhos iniciados em 2017. Hunters II tem o lançamento previsto para o dia 8 de agosto e trará o mesmo grupo de Hunters ao lado de novos personagens.

No primeiro quadrinho o principal foco era o ex-Cabo do Exército Norte Americano Enoch Nakai. Já na nova história o protagonista será Tyler Swain, e nela aprenderemos mais sobre Jaya Soames, a líder da equipe.

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Ainda falando das novidades dos quadrinhos, no dia 12 de dezembro será lançada uma nova coleção para comemorar os 30 anos de Predador nos quadrinhos que se chamará Predator: The Essential Comics Volume 1. Nela teremos histórias clássicas dos yautja nas hqs como Predator: Cold War, Predator: Dark River, e Predator: Concrete Jungle.

Capa de Predator: Hunters II #2 - Arte de Augustin Padilla
Capa de Predator: Hunters II #2 – Arte de Augustin Padilla

O site SYFY WIRE entrevistou Chris Warner, que falou sobre Predator: Hunters II, Alien vs. Predador e sobre como é trabalhar com alguns dos maiores clássicos da ficção científica. Traduzimos aqui as perguntas na quais ele fala sobre como é trabalhar em uma história do Predador e suas opiniões sobre a franquia. Quem quiser conferir a entrevista completa, acesse este link.

SYFY – Hunters é bem semelhante ao filme original, explorando pessoas indo atrás dos Predadores. Ele mantém o leitor sem saber sobre quem os Predadores eram e os seus motivos. Isso foi intencional?

Warner – Eu sou um grande fã do Predador, principalmente do primeiro filme, que é quase perfeito da sua forma. Eu o assisti novamente há alguns dias atrás, já deve ser a centésima vez – e ele ainda me surpreende. Acho que a chave para uma história do Predador, ou qualquer história, é a preocupação com os protagonistas. É a situação deles que alimenta o momentum da história. O erro de alguns roteiristas é achar que mais e mais ação vai deixar a história mais divertida, quando na verdade é o oposto.

Parte do que faz o Predador tão emocionante é a ansiedade excruciante, é saber que as coisas podem esquentar a qualquer momento. Se a coisas esquentam o tempo todo, é apenas ruído branco. Você quer tensão e liberação. Contraste. Ação sem parar não dá tempo para a história respirar. O fato do Predador ser um mistério é uma coisa boa. Muitos telespectadores, leitores e roteiristas acham que entrar na cabeça do Predador e aprender mais sobre o seu mundo vai aprimorar a experiência, mas é o contrário. É a imaginação dos leitores que aprimora a diversão da história. Isso cria uma conexão pessoal – cada leitor ou telespectador começa a criar a sua própria história a um certo nível. Jogue tudo no papel e a história se torna só do escritor.

Voltando ao tempo em que você era um artista trabalhando em Predador, quanta flexibilidade você teve para construir o mundo?

A construção do mundo geralmente causa a morte de uma boa narrativa. Histórias são sobre personagens. A construção do mundo é divertida, mas ela pode atrapalhar a elaboração de uma boa história. No primeiro filme do Predador, o quanto de construção do mundo havia ali? Quase nada. Em Alien e Aliens, o quanto havia de construção do mundo? Mais uma vez, quase nada. Construa os seus personagens.

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Qual é a base para uma boa história do Predador?

Eu sempre volto no primeiro filme. Tento manter a premissa simples e manter o senso de mistério e ameaça, e busco encontrar uma forma de fazer com que o conflito da história reflita em algo real. Não quero só mais uma luta de monstros.

Aliens vs. Predator (1991)
Aliens vs. Predator (1991)

Qual foi a parte mais difícil de trazer histórias envolvendo ambas as raças alienígenas (Aliens e Predadores)? Qual era o terreno mais fértil?

Acho que o fato dos primeiros filmes das franquias, que eram literalmente tudo que tínhamos para começar, serem tão bons que acompanha-los era bem intimidador. Eles não eram apenas filmes bons, eram clássicos. Mas como os filmes dos Aliens e do Predador são “fechados,” eles apresentam situações em que os protagonistas estão basicamente presos com essas criaturas letais, você precisa criar elementos da história que vão além desse cenário sem perder o que esse tipo de contexto cria: a tensão, o isolamento e a claustrofobia.

Mais uma vez eu volto aos personagens. Se os seus personagens têm alguma dimensão e você se importa com eles, já é meio caminho andado. Eu também tenso sempre focar em encontrar um ambiente interessante para as histórias. Em Hunters, eu escolhi uma cadeia isolada de ilhas tropicais. Em Hunters II, serão as montanhas do Afeganistão.

Você desenhou três das maiores franquias de ficção científica da época com Exterminador do Futuro, Aliens e Predador. Que lembranças carinhosas você tem daquele tempo e de poder expandir os mundos de todas essas franquias?

Foi uma excelente época para os quadrinhos. A audiência estava implorando por algo diferente, e as sequências em quadrinhos de filmes populares eram exatamente o que os leitores queriam. Até mesmo pessoas que não gostavam de quadrinhos entravam na onda, pois eram os únicos lugares onde eles poderiam doses de ter Aliens, Predador e Exterminador do Futuro.

Eu gosto muito de acreditar que nós tivemos uma pequena participação na criação da integração das plataformas cross media que vemos hoje. Nós criamos quadrinhos que de fato afetaram as franquias do cinema. Os cineastas começaram a ver os quadrinhos como uma fonte e os roteiristas de quadrinhos e artistas como criativos dignos de atenção. Fico feliz pra caramba por ter participado e ainda participar, como uma pequena parte disso.

 

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